Relato do 15º Barcamp de tradutores e intérpretes do Rio de Janeiro

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O relato do nosso último encontro é uma contribuição da Marina Borges, uma das organizadoras dessa edição. Obrigado, Marina!

O tema da 15ª edição do Barcamp de Tradutores e Intérpretes do Rio de Janeiro, realizada hoje de manhã na Biblioteca Municipal Machado de Assis, em Botafogo, foi bastante interessante do ponto de vista dos tímidos.

Tiro por mim, sou uma pessoa muito tímida. Quando vou a congressos e não conheço quase ninguém, minha tendência é me encolher ali no cantinho, tomar meu café quente e esperar até a próxima palestra começar. Era essa a ideia que eu tinha de networking: algo complicado de fazer, coisa de gente extrovertida.

Aí essa semana, preparando um esquema para guiarmos o debate que fizemos hoje, me dei conta que estou fazendo networking desde que comecei a ser tradutora. Fazemos todos sem perceber. Todo o meu círculo social sabe que eu sou tradutora. Meus pais, meu irmão, meus primos, meus amigos de colégio, o pessoal do pilates, gente que já trabalhou comigo. Meu dentista ontem, na primeira consulta, ficou encantado de conhecer uma tradutora (os dentistas são em número bem maior que a gente, convenhamos). O x da questão está em como fazer networking entre os seus.

Trocamos bastante figurinha sobre postura profissional (na vida real e na vida virtual), como é importante se comportar de modo respeitoso, comedido, aceitar as diferenças, reconhecer seus erros. Falamos sobre relacionamentos entre clientes e tradutores, como fazer e receber indicações de colegas (e de conhecidos), como se fazer notar. Presença online – aqui, no Facebook, no Proz, em um site profissional – é tão importante quanto ter seu cartão de visitas a postos no próximo congresso.

Nos reunimos tradutores experientes e novatos e debatemos informalmente o que fazer e o que não fazer para criarmos nossa rede de contatos profissional. Foi um encontro muito proveitoso para todos e que venham mais edições do Barcamp para continuarmos a nos fortalecer profissionalmente.

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Vamos falar de networking?

 

Vamos conversar sobre a importância do networking na nossa profissão? Networking: o que funciona? O que não funciona? O que você pode aprender com suas relações profissionais?

Dia 26/05 às 10h

Local: Biblioteca Popular Municipal de Botafogo

Endereço: Rua Farani, 53, Botafogo, RJ

Inscrições por e-mail: acoesrj@gmail.com

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Relato do 14º barcamp de tradutores e intérpretes do Rio de Janeiro.

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O relato do nosso 14º encontro foi escrito pela Livia Freitas Rosa. Muito obrigado pela sua contribuição, Livia!

O primeiro Barcamp

O meu primeiro Barcamp foi, na verdade, o 14º do grupo. Mas nem por isso deixou de ter o frescor e a espontaneidade que são a marca registrada de um encontro aguardado. Além disso, seguiu à risca a regra de ouro de acontecer, a cada edição, em um local diferente e inspirador para os amantes das letras. No caso deste último, ocorreu na livraria Argumento do Leblon.

O grupo é bem variado. Cada participante traz consigo uma vivência ímpar. Essa vivência é compartilhada durante o discurso de elevador, um dos momentos tradicionais da reunião. Foi nessa hora que comecei a me sentir à vontade devido à sensação de bem estar que passou a ser construída. Afinal, são muitos os caminhos trilhados. Vão desde o tradutor que começou a carreira como um mero hobby, passando pelos que se dedicaram ao estudo acadêmico, até chegar àquele que se arriscou no ofício ao se candidatar a um trabalho sem saber como seria recebido. Nessa trajetória incluem-se as diversas modalidades de tradução em que cada um se especializou. E o mais interessante é que sequer imaginaram que, um dia, se aprofundariam naquela área específica. O que vale mesmo é sentimento maior de saber que todas as estradas levam ao que é mais querido: a mensagem traduzida.

Neste encontro tivemos a presença da Samantha Silveira, tradutora da Dispositiva, empresa de audiovisual. Ela apresentou o tema “Legendagem: Aperta que cabe”. Durante mais de duas horas a Samantha discorreu sobre o tema com desenvoltura, apresentando para o grupo diversos aspectos do mercado audiovisual para tradução: oportunidades, labuta diária, questões legais da cessão de direitos, programas e arquivos, remuneração, casos, empresas, formação, referências profissionais, dicas de conduta e etc.

O grupo participou da palestra demonstrando interesse e também muita maturidade ao fazer perguntas e expor desafios próprios. O ponto comum que une todos, além da tradução em si, é a constante busca por uma abordagem saudável das dores e das delícias pelas quais os tradutores passam diariamente.

Ao final da palestra, as pessoas se levantaram e começaram a conversar em grupos, ampliando e aprofundando o tema discutido. Foi o momento em que todos “saltaram do elevador” para aproveitarem a oportunidade de se conhecerem com mais proximidade.

O sentimento que ficou foi de que não estamos sós, apesar de a atividade da tradução exigir altos níveis de concentração e de isolamento. E o Barcamp funciona como aquele encontro marcado durante o qual temos a chance de sairmos de nossos casulos e descobrirmos admiráveis mundos novos.

Que venha o 15º Barcamp!

 

Relato do 13º Barcamp de tradutores e intérpretes do Rio de Janeiro

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O relato do nosso 13º Barcamp foi escrito por José Luiz Corrêa da Silva, tradutor e professor do curso Brasillis. Muito obrigado, José Luiz!

 

Relato do 13º Barcamp do Rio de Janeiro

No dia 17 de março de 2018, a Escola de Idiomas e Centro Cultural Santa Ciranda (https://pt-br.facebook.com/SantaCiranda/) abriu suas portas no bairro de Santo Cristo, antes mesmo da sua inauguração formal ao público, para que pudéssemos realizar o nosso 13º Barcamp-RJ.

Ao recebermos as boas-vindas de um professor de História da Arte (tão versátil que também atua na Santa Ciranda como um faz tudo nas obras de recuperação do local), conhecemos um pouco das atividades da Santa Ciranda, que resultou da união de uma organização não governamental, a São Domingos, que por mais de 20 anos desenvolveu trabalhos sociais para as comunidades do bairro de Santo Cristo, com a Ciranda dos Ventos, que nos últimos 5 anos atuou com produções culturais e artísticas.

Como de costume nos Barcamps, antes de mergulharmos no tema central do encontro, os organizadores passaram como seria a dinâmica do evento e os participantes tiveram a oportunidade de participar do chamado “discurso de elevador”, que é uma fala livre e despida de qualquer formalidade, onde os participantes se apresentam aos demais. É o momento do conhecimento mútuo. Para os que participaram pela primeira vez e têm interesse nas atividades de tradução, revisão ou interpretação, este Barcamp foi, como sempre, uma excelente oportunidade para conhecerem as rotinas de vida e de trabalho dos profissionais mais experientes. Pelo papo durante o coffee break, constatei a intensa troca de ideias, contatos e conhecimentos. Nesse sentido, os Barcamps constituem um ambiente ideal para formação e consolidação de amizades e de parcerias de trabalho. Por isso procuro incentivar novas participações, bem como tenho ajudado na ampliação da divulgação dos Barcamps, para que cada vez mais pessoas possam conhecer, comparecer e contribuir com as nossas atividades.

A minha primeira participação em Barcamps ainda não fez um ano, mas esse evento mudou a minha percepção da atividade propriamente dita, pois aprendi novas posturas pessoais e profissionais, conheci pessoas que trabalham como freelancers nas mais diversas áreas de conhecimento, pessoas que estão na linha de frente de agências e editoras, além de tradutores de renome, que realizaram importantes trabalhos de tradução e interpretação. Passados mais de 30 anos do meu primeiro trabalho profissional de tradução e mais de 10 anos como professor de tradução, passei a me ver tal como vejo um iniciante, com gás total para deslanchar na profissão, e, mais que tudo, passei a valorizar o brilho nos olhos das pessoas que têm orgulho ao dizer em alto e bom som, que a tradução é a sua profissão.

Além disso, é sempre bom saber que não estamos sozinhos; fazemos parte de um grupo maior, de um coletivo, de uma comunidade de pessoas apaixonadas pelo que fazem, sejamos tradutores, daqueles que se enclausuram em casa ou em um espaço de co-working, diante de uma tela de computador, por vezes sem falar com ninguém, dia após dia, em trabalhos extenuantes, volumosos e solitários; daqueles que trabalham nas agitações das agências de tradução, editoras ou em estúdios de dublagem; sejamos intérpretes simultâneos, daqueles que participam de eventos em seus trabalhos nas cabines de tradução; ou sejamos intérpretes sucessivos, daqueles que sobem aos palcos, ao lado de quem interpretam, para levar aos participantes de um evento, que não têm capacidade de compreender nos idiomas de origem dos palestrantes, o conteúdo das apresentações feitas.

Há um registro importante a fazer, especialmente para os mais novos nos Barcamps. A filosofia que rege os nossos encontros é a da horizontalidade, o que vale dizer que não há uma ideia e muito menos a pretensão de se criar alguma forma de hierarquização entre as atividades e os participantes, sejam estes tradutores, intérpretes, estudantes de idiomas, de formação, graduação ou pós-graduação em tradução ou em qualquer outra área, ou simplesmente os que se interessem pelos temas dos Barcamp, mesmo não sendo diretamente ligados à tradução de um modo geral. Todos os participantes são bem-vindos e os que compartilham suas habilidades profissionais (seja qual for a(s) área(s) em que atuam), invariavelmente contribuem com o enriquecimento dos demais participantes, transformando os nossos encontros em ambientes de grande potencial para o estabelecimento de novas amizades, para a ampliação das redes de contatos e até mesmo para se firmar parcerias mais avançadas para trabalhos de tradução, revisão e interpretação. E o nosso 13º Barcamp do Rio de Janeiro não foi diferente.

No 13º Barcamp-RJ tivemos o privilégio de ouvir os nossos convidados especiais: a professora, tradutora, copy desk, revisora e editora, Liciane Corrêa, e o tradutor, copy desk, revisor e tradutor, Leonardo Alves. A professora Liciane Corrêa foi editora de autores como Rick Riordan e Neil Gaiman, que tiveram lançamentos simultâneos nos Estados Unidos e aqui no Brasil. Dos recentes trabalhos como tradutor, Leonardo Alves foi um dos cinco que participaram da tradução coletiva de Fogo e Fúria, livro de Michael Wolff, que revela os bastidores do governo Trump. De colegas a amigos de trabalho, o casal se dispôs a falar sobre as suas vivências e experiências cotidianas em traduções editoriais e sobre as suas funções e tarefas, em diferentes fases das respectivas trajetórias profissionais, sempre com foco nas rotinas frenéticas de editoras.

O tema proposto foi “Cotradução e publicação simultânea: desafios da tradução e edição de livros publicados junto com a versão original”. É complicado até para tradutores mais experientes as etapas e as divisões de trabalho em uma tradução editorial e isso foi o que pudemos ouvir dos nossos convidados, de uma forma tão leve, mas ao mesmo tempo tão detalhada, que deu até para sentir todo o frenesi de uma editora que conseguiu vencer uma concorrência para traduzir um livro importante, com uma expectativa de ser altamente vendável, até que o livro traduzido chegue às prateleiras das livrarias. Aprendemos que nessa questão “o tempo é o senhor da razão”. Como vivemos na era da informação instantânea, se uma editora demorar a lançar uma tradução de um livro, cujo tema seja tão empolgante, palpitante ou “da hora”, podem surgir as “traduções piratas” ou ainda o público pode simplesmente perder o interesse pelo assunto. São os prazos curtos que ditam a velocidade da tradução e/ou a quantidade de tradutores para encurtar os prazos, de modo a se lançar a versão traduzida do livro em evento simultâneo ao lançamento do original, em sua língua de partida. Isso pode levar as editoras a selecionarem e contratarem vários tradutores para concluir o trabalho em tempo de o livro passar pelas etapas de copy desk [foi-nos explicado em linhas gerais como sendo uma técnica de “cotejo” – comparação tipo “cara-crachá” entre o texto de partida e a tradução, de modo a se verificar se nada do original ficou de fora do texto traduzido], bem como pelas revisões gramaticais e de conteúdo, tudo isso em paralelo ao trabalho gráfico para se elaborar a capa, criar ou reproduzir as ilustrações e executar as demais etapas de editoração, para que o livro possa finalmente ser publicado na data desejada. O tempo foi curto, pois o Barcamp já se aproximava do fim, mas foi possível que os nossos convidados nos passassem tudo o que vieram preparados para nos passar e creio que não restou pergunta sem resposta. De modo que o sucesso do evento foi alcançado.

Antes de encerrar o presente relato, quero agradecer, em nome de todos os participantes, aos coordenadores da Escola de Idiomas e Centro Cultural Santa Ciranda por abrirem suas instalações para a realização do nosso encontro, aos nossos mais novos amigos, Liciane Corrêa e Leonardo Alves, por tudo o que nos transmitiram nessa manhã de muito conhecimento e aprendizado, e aos organizadores por todo o trabalho para conseguir o espaço e pela escolha acertada do tema e dos convidados de honra deste 13º Barcamp-RJ.

E que venha o 14º Barcamp-RJ!

ATENÇÃO: NOSSO 14º BARCAMP JÁ ESTÁ MARCADO! CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS.

14º Barcamp de tradutores s intérpretes do Rio de Janeiro

Mais um chegando! 
14º Barcamp de tradutores e intérpretes do Rio de Janeiro
Dia 27 de abril, das 19h às 22h
Endereço:
Livraria Argumento
Rua Dias Ferreira, 417 – Leblon

Tema desta edição: “Legendagem: aperta que cabe”, apresentado por Samantha Silveira

A Livraria Argumento gentilmente cedeu o espaço para a realização deste evento, mas teremos o custo de R$ 9,50 por pessoa para o aluguel de cadeiras e as inscrições serão limitadas a 20 pessoas.

Inscrições pelo e-mail acoesrj@gmail.com

 

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13º Barcamp de tradutores e intérpretes do Rio de Janeiro

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Nosso próximo encontro será no dia 17 de março, às 10h, no Centro de Cultura Santa Ciranda. Endereço: Rua Santo Cristo, 139.

Lembramos que é um encontro gratuito e aberto a profissionais, estudantes e ao público em geral.

O tema desta edição será apresentado pelos tradutores Leonardo Alves e Liciane Correa: “Cotradução e publicação simultânea: desafios da tradução e edição de livros publicados junto com a versão original”.

Para participar, envie um e-mail para acoesrj@gmail.com.